A Expopato terminou, os palcos foram desmontados e as luzes se apagaram. Mas, junto com o fim do evento, uma realidade muito mais dura emergiu nos bastidores da administração municipal: o Município de Pato Branco acumula R$ 15.562.012,50 em empenhos atrasados, revelando um colapso financeiro silencioso, profundo e absolutamente incompatível com o discurso otimista que a gestão tenta vender ao público.
O que antes era rumor nos corredores da prefeitura agora se materializa em números oficiais e relatos internos que confirmam um cenário de deterioração administrativa. A máquina pública está estrangulada, setores essenciais mal conseguem operar e fornecedores se acumulam à espera de pagamentos que não chegam.
Ainda assim, em meio ao caos, a gestão concentra energia e prioridade na execução do Natal de Luz, comandado politicamente por Neusa Viganó, responsável pela Parte Social da prefeitura, que dedica esforço e mobiliza equipes para entregar o evento como se o Município vivesse o auge da estabilidade.
A maquiagem já não cobre mais o rombo.
Como tudo começou: despesas crescentes, arrecadação estagnada e a ilusão de estabilidade
A crise fiscal não apareceu de repente. Ela vinha se formando ao longo do ano, alimentada por gastos crescentes, contratos assumidos sem lastro financeiro e uma administração marcada por decisões improvisadas. A Expopato foi apenas a face mais visível de uma estratégia política ousada: investir pesado em imagem, eventos e marketing institucional enquanto, nos bastidores, áreas essenciais já davam sinais de desgaste.
Relatos internos mostram que a gestão vinha empurrando despesas, reduzindo manutenção, atrasando pagamentos e fazendo cortes silenciosos em operações básicas. Mesmo assim, o discurso oficial permanecia inabalável, apostando na esperança de que a arrecadação futura compensaria as decisões arriscadas. Não compensou.
Com o término da Expopato, a cortina caiu. O que se revelou foi um estoque crescente de dívidas, espalhadas entre fornecedores, prestadores de serviços e setores cruciais da administração. A fatura chegou, inteira e pesada.
O retrato interno da crise: frota parada, manutenção suspensa e serviços essenciais em risco
Se os números assustam, a situação operacional revela o desespero. Na garagem da prefeitura, caminhões parados aguardam manutenção que não vem. Oficinas rejeitam atender a administração por falta de pagamento.
Segundo informações obtidas pelo Portal Verdades:
- caminhões estão parados por falta de peças;
- apenas um caminhão da coleta estaria rodando para atender toda a cidade;
- o abastecimento de veículos foi drasticamente restringido;
- ordens internas determinam que secretarias reduzam deslocamentos;
- setores como saúde, fiscalização e obras operam no limite.
Essa é a realidade que a gestão tenta esconder.
A máquina pública não está andando está sendo empurrada.
E esse tipo de operação emergencial, baseada em cortes forçados, não apenas compromete a qualidade dos serviços: coloca a cidade inteira em risco.
A priorização invertida: enquanto a cidade afunda, o esforço político agora é para entregar o Natal de Luz
Em meio ao rombo de mais de R$ 15 milhões, ao risco de paralisação de serviços e à crise operacional instalada, chama atenção a prioridade escolhida pela administração: o Natal de Luz.
O evento, sob coordenação política de Neusa Viganó, responsável pela Parete Social do municipio, segue recebendo total atenção, mobilização e esforço interno. Enquanto setores como saúde, educação, obras e limpeza enfrentam falta de recursos, o foco estratégico da gestão está concentrado na entrega de um espetáculo natalino de grande porte.
A pergunta que ecoa entre servidores é direta:
Como justificar investimentos, empenhos e mobilização de pessoal para um evento festivo enquanto a cidade enfrenta um dos maiores rombos financeiros da última década?
A prioridade revela não apenas descaso administrativo, mas a perda completa de noção das necessidades reais do Município. É política acima da responsabilidade. Estética acima da funcionalidade. Cerimônia acima da prestação de serviços.
E isso expõe o problema central desta gestão: não há ordem lógica nas prioridades da administração.
O estouro final: fim do ano, queda de arrecadação e a conta que não fecha
O momento da revelação não poderia ser pior.
Novembro e dezembro são meses historicamente difíceis:
- redução da arrecadação,
- aumento das despesas,
- pagamento do 13º salário,
- férias de servidores,
- fechamento contábil obrigatório,
- e limites da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com R$ 15,5 milhões em empenhos atrasados, a economia da insalubridade (que seria usada para fechar as contas) derrubada pela Justiça, fornecedores esperando, frota parada e setores operando no limite, a administração enfrenta uma combinação explosiva:
As contas simplesmente não fecham.
O risco é real e iminente:
- atraso de salários;
- atraso no 13º;
- paralisação de serviços essenciais;
- estouro de limites legais;
- e aumento de restos a pagar para 2026.
É uma tempestade fiscal perfeita produzida pela própria gestão.
Conclusão: o colapso anunciado e a gestão que escolheu fechar os olhos
O rombo de R$ 15 milhões não é apenas um número.
É o símbolo de uma administração que perdeu a capacidade de governar com responsabilidade, previsibilidade e técnica.
É o resultado de decisões mal tomadas, prioridades invertidas e uma gestão que preferiu a aparência à realidade. Preferiu festas a serviços. Preferiu propaganda a equilíbrio fiscal.
Enquanto isso, a população paga o preço.
O Portal Verdades continuará acompanhando cada desdobramento dessa crise e mostrando à cidade aquilo que a administração não tem coragem de dizer.
Por Gustavo, Redação Portal Verdades
Fontes: Portal da Transparência:
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