Expopato 2025: a feira que brilhou para muitos, mas virou pesadelo para quem estava por trás das cortinas

Mesmo celebrada pela Prefeitura como um sucesso histórico, a Expopato 2025 foi marcada por falta de alvará, decisões judiciais de última hora, falhas de estrutura, insegurança, problemas nos shows, ausência de transparência e prejuízo ao comércio local fora da expopato. Um sucesso? Sim... mas para quem?

A Expopato 2025 foi apresentada pela Prefeitura como um marco histórico para Pato Branco. Os números impressionam: 268 mil visitantes em nove dias, grande movimentação nos pavilhões e shows que atraíram multidões. De fato, o público compareceu e a feira lotou. Mas por trás da imagem de sucesso absoluto, há uma realidade que não pode ser ignorada: a Expopato 2025 só aconteceu graças a decisões emergenciais, improvisos de última hora e uma série de falhas graves que expuseram a fragilidade da atual gestão.

A verdade é que, na véspera da abertura, a maior feira da cidade quase foi cancelada. Uma liminar proibiu o início das atividades, o evento estava sem alvarás, havia pendências com o Corpo de Bombeiros e com a Polícia Militar, e o Ministério Público já investigava a feira desde agosto por problemas estruturais, irregularidades, falta de impessoalidade e ausência de planejamento. Foi apenas pela aplicação do art. 20 da LINDB , que busca evitar prejuízo coletivo, que o MP permitiu a continuidade do evento, mesmo reconhecendo falhas sérias na organização.

O show de abertura com Simone Mendes é o exemplo perfeito do caos que marcou o início da feira. Segundo informações de bastidores, o espetáculo quase foi cancelado e só aconteceu pelo medo do prejuízo milionário. O evento ocorreu sem liberação total dos Bombeiros, sem alvará e sem segurança jurídica. No dia seguinte, a Justiça confirmou oficialmente que a feira estava funcionando sem autorização adequada. Uma liminar determinou multa de R$ 100 mil por dia caso o evento seguisse sem regularização. A Prefeitura passou então a divulgar, apagar e republicar informações, deixando expositores e visitantes completamente perdidos. Pela manhã, os shows foram suspensos. Final da tarde, uma nova decisão liberou tudo novamente. Durante todo esse tempo, expositores passaram horas sem dormir, preocupados com seus investimentos, sem saber se a feira abriria no dia seguinte.

Mas as falhas não se limitaram aos bastidores jurídicos. No palco, o público sentiu de perto o reflexo do planejamento falho.Nós já haviamos alertado sobre a disposição das áreas VIP, bistrô e camarotes, que deixavam o público gratuito em uma distância exagerada do palco. E foi exatamente isso que aconteceu: quem não podia pagar por setores especiais assistiu aos shows de muito longe. Para piorar, os telões não replicaram o show, em algumas apresentações. Milhares de pessoas “viram” o show apenas pelo som, sem conseguir enxergar o palco. A frustração foi inevitável, assim como as brigas e confusões que ocorreram em áreas lotadas, evidenciando a fragilidade da segurança.

A acessibilidade também foi alvo de inúmeras críticas durante a Expopato 2025. Pessoas com mobilidade reduzida, especialmente cadeirantes, relataram extrema dificuldade para circular pelos pavilhões. Rampas improvisadas, áreas com desníveis, passagens estreitas, falta de piso adequado e trechos com acúmulo de pessoas tornaram o deslocamento praticamente impossível em alguns horários. Houve cadeirantes que precisaram esperar longos períodos para conseguir acessar determinados setores, enquanto outros simplesmente desistiram de circular porque a estrutura não oferecia condições mínimas de autonomia e segurança. Para um evento desse porte promovido com dinheiro público, a falta de acessibilidade adequada não é apenas uma falha técnica: é um desrespeito direto a uma parcela da população que depende dessas condições para participar plenamente da feira.

Outro aspecto crucial foi a promessa da Prefeitura de que a Expopato seria “a feira da entrada gratuita”. Mas, na prática, mesmo com acesso livre, não era qualquer família que conseguia participar de forma digna. Uma pipoca custava R$ 25,00. Um brinquedo simples, R$ 15,00. Um refrigerante ou lanche, ainda mais caro. Para uma família com dois ou três filhos, o gasto médio numa única noite passava facilmente de R$ 200,00, valor impossível para muitas famílias que vivem com um salário mínimo. Pais relataram ao Portal Verdades que passaram vergonha por não conseguirem pagar um brinquedo sequer para os filhos. Outras famílias foram apenas passear, incapazes de proporcionar uma experiência completa. A feira foi gratuita na entrada, mas não foi acessível na prática, e quem mais deveria ser acolhido foi justamente quem mais sofreu.

A falta de transparência também marcou a edição deste ano. Perguntas básicas permaneceram sem resposta: quem lucrou dentro da feira? Como foram escolhidos os expositores? Onde estão os contratos completos? Por que artistas locais foram ignorados até o último momento? Por que o prometido investimento de R$ 1,5 milhão em artistas locais nunca se concretizou antes das denúncias? Após pressão, a Prefeitura lançou um edital às pressas, com critérios nebulosos e sem pagamento.

E enquanto a feira gerava resultado para alguns, a cidade como um todo sentiu o impacto negativo. A área gastronômica, por exemplo, tinha em torno de 30% de expositores de Pato Branco; o restante era de outras cidades. Isso refletiu diretamente no comércio local: bares vazios, Avenida Tupi esvaziada, restaurantes com baixa movimentação e um shopping quase sem fluxo. No comércio geral, situação semelhante: cerca de metade dos expositores era de outras regiões. Muitos empresários locais sequer conseguiram espaço na feira e relataram ao Portal Verdades baixa significativa nas vendas.

Enquanto a Prefeitura impulsionava influenciadores e veículos contratados para divulgar apenas o lado bonito, o Portal Verdades mostrou aquilo que precisava ser mostrado. Não por torcida contra, não por interesse político, mas porque a feira é um evento público, financiado com dinheiro público e o povo merece saber a verdade completa. Graças às denúncias e à audiência que nos acompanha, vários dos problemas expostos foram corrigidos durante a feira. E esse é o papel de uma crítica responsável: cobrar para melhorar.

A feira que deveria servir para amenizar a pressão acumulada ao longo do ano e tentar melhorar a imagem da atual gestão acabou fazendo exatamente o contrário. Em vez de aliviar os problemas, expôs ainda mais a desorganização, o improviso e a total falta de capacidade administrativa que já vinham sendo percebidos pela população. A Expopato 2025 não foi apenas um evento marcado por falhas: foi um retrato fiel da incompetência de uma gestão que demonstra estar perdida, sem planejamento, sem direção e incapaz de entregar algo que não dependa de cobrança externa, pressão pública ou intervenção de autoridades.

Que isso sirva de lição. Que sirva de alerta. Que sirva de aprendizado, porque, no rumo em que está, a confiança da população está se esgotando. Pato Branco é uma cidade exigente, de gente que cobra, que observa, que fiscaliza e que espera que as coisas sejam feitas com excelência, não com improviso. O pato-branquense não aceita “meia-boca”, não aceita gambiarra, não aceita explicações vazias. A cidade merece organização, respeito e seriedade. E se a gestão não entender isso agora, ficará ainda mais distante do que a população espera e merece.

A Expopato 2025 foi um sucesso de público, isso é inegável. Mas também foi a feira que escancarou, para toda a cidade, a incapacidade de uma gestão que se mostra perdida, improvisada e dependente da pressão popular para fazer o básico. Uma feira que deveria ter servido para amenizar os erros do ano inteiro acabou se tornando o maior símbolo deles. E que isso sirva de lição: Pato Branco merece eventos grandiosos, mas também merece responsabilidade e competência na mesma medida.

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