Governo do Paraná concede rodovias e pedágio eletrônico passa a valer hoje no trecho Pato Branco–Francisco Beltrão

Governo do Paraná concede rodovias e pedágio eletrônico passa a valer hoje no trecho Pato Branco–Francisco Beltrão

A cobrança automática no modelo eletrônico “free flow”, sem praças físicas e sem cancelas, começou a valer nesta segunda-feira (23) em pontos do Sudoeste do Paraná. Os equipamentos são novos e passaram a ser instalados após a concessão das rodovias pelo Governo do Estado à EPR Iguaçu, responsável pelo Lote 6.

A concessionária assumiu 662 quilômetros de rodovias em dezembro de 2024, com contrato de 30 anos e previsão de cerca de R$ 20 bilhões em investimentos, incluindo duplicações, manutenção e melhorias estruturais ao longo das próximas décadas.

ONDE ESTÃO OS NOVOS PÓRTICOS

Os pórticos eletrônicos foram instalados na BR-163, nos municípios de Santa Lúcia e Lindoeste, além de trechos em Ampére e Vitorino.

Também estão sendo implantados pontos físicos de apoio para pagamento nos seguintes locais:
• Km 175 da BR-163, em Lindoeste
• Km 146 da BR-163, em Santa Lúcia

Nesses locais, os motoristas encontram totens de autoatendimento e atendimento presencial para esclarecimento de dúvidas e quitação da tarifa.

VALORES DAS TARIFAS

Entre os pontos que mais afetam moradores da região está o pórtico de Vitorino, com tarifa de R$ 11,00 para veículos de passeio. Também há cobrança em Ampére (R$ 13,40) e Santa Lúcia (R$ 18,10).

Os valores já incluem o reajuste inflacionário autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres.

O IMPACTO NO BOLSO DO MOTORISTA

Apesar da previsão de investimentos e modernização da malha viária, o novo modelo tem provocado forte reação entre moradores do Sudoeste.

Um dos principais questionamentos levantados por contribuintes é que os cidadãos já pagam impostos como IPVA, ICMS sobre combustíveis e outros tributos que, em tese, deveriam contribuir para a manutenção das rodovias. Com a concessão, passa a existir também a cobrança direta pelo uso em trechos que antes eram livres de pedágio.

Para quem realiza diariamente o trajeto entre Pato Branco e Francisco Beltrão, por exemplo, o custo passa a ser de R$ 11,00 na ida e R$ 11,00 na volta, totalizando R$ 22,00 por deslocamento. Ao longo do mês, o impacto pode ser significativo no orçamento familiar ou empresarial.

Já quem segue viagem até Cascavel poderá arcar com três pontos de cobrança, tanto na ida quanto no retorno, elevando consideravelmente o custo total da viagem.

ROTAS ALTERNATIVAS EXISTEM — MAS COM MAIS DISTÂNCIA

No caso específico do trecho entre Pato Branco e Francisco Beltrão, que tende a concentrar o maior impacto regional, existem rotas alternativas consideradas boas do ponto de vista de trafegabilidade, como o deslocamento via Itapejara do Oeste.

Embora o percurso seja um pouco mais longo, a via apresenta condições adequadas de rodagem. Ainda assim, a escolha envolve maior tempo de viagem e aumento no consumo de combustível.

Na prática, o motorista passa a fazer um cálculo: pagar o pedágio para manter o trajeto mais curto ou ampliar o percurso para evitar a tarifa.

COMO FUNCIONA O PAGAMENTO

Existem duas formas de cobrança:

Com TAG eletrônica
O valor é debitado automaticamente pela operadora da TAG, sem necessidade de ação do motorista.

Sem TAG
A identificação é feita pela placa do veículo. O motorista tem até 30 dias para efetuar o pagamento e evitar multa por inadimplência. A tarifa costuma ficar disponível cerca de duas horas após a passagem pelo pórtico.

CANAIS DE PAGAMENTO

O pagamento pode ser realizado por:

• Aplicativo Pedágio Eletrônico EPR
• Site da EPR Iguaçu
• Totens nas bases do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU)
• Pontos físicos na BR-163
• Totens em comércios parceiros
• Praças tradicionais da BR-277
• Sede administrativa da concessionária, em Cascavel

São aceitos Pix, cartão de débito e crédito.

ENTRE INVESTIMENTOS E RESISTÊNCIA

Enquanto o Estado defende o modelo como alternativa para viabilizar grandes investimentos e acelerar obras estruturantes, parte da população questiona a lógica econômica da concessão, alegando que o contribuinte acaba arcando com dois custos: o tributário e o tarifário.

O debate está colocado: de um lado, a promessa de rodovias modernizadas ao longo de 30 anos; de outro, o impacto imediato no bolso de quem depende dessas estradas todos os dias.